sexta-feira, 18 de julho de 2008

"Ass: Os Edukadores"

* Spoiler à vista!!!

- Quantas horas você trabalha por dia?

- Cerca de 13 ou 14 horas.

- E o que faz com tanto dinheiro? Você coleciona coisas. Coisas grandes e caras. Muitos carros, uma mansão, o seu iate... Coisas que mostram que é um macho alfa. Não vejo outro motivo. Nem tem tempo para usufruir do seu iate. A pergunta é: por que quer sempre mais?

- Vivemos numa democracia. Não preciso justificar coisas pelas quais eu paguei.

- Errado. Vivemos numa ditadura capitalista. Você roubou tudo o que possui.

- Posso me dar a certos luxos porque sempre trabalhei duro. Porque tive as idéias certas nas horas certas. E, além disso, eu não sou o único...

- Besteira!

- Muitos têm essas chances, só que não aproveitam.

- Então você é um batalhador. Na Ásia também há pessoas que trabalham 14 horas por dia, mas elas não têm mansões e só recebem 30 euros por mês. Acredito que elas também tenham idéias fantásticas, mas não têm dinheiro para ir até a cidade vizinha.

- Sinto muito por eu não ter nascido na Ásia.

- Pode ser, mas poderia ajudar a melhorar a vida por lá. Os países ricos poderiam perdoar as dívidas! São apenas 0,01% do PIB que poderiam sumir!

- Porque a economia mundial entraria em colapso.

- Porque querem que continuemos pobres. É o único motivo, assim podem controlá-los. Forçá-los a vender produtos por preços ínfimos.

- O que você entende disso? Isso é absurdo.

- Não. É a regra básica do sistema. Exaurir as forças das pessoas até o limite, para que elas não pensem em reagir.

- Isso não é verdade. É claro que muitas coisas podem ser melhoradas. Proteção ambiental, aumentar os preços dos produtores, mas o sistema nunca vai mudar.

- E por que não?

- Por quê?

- É. Por quê?

- Porque é da natureza humana querer superar o outro. Porque todo grupo elege um líder depois de um tempo. E a maioria só é feliz quando pode comprar algo novo.

- Feliz? Acha que as pessoas são felizes? Dê uma olhada! Saia do carro e olhe pelas ruas! Alguém parece feliz ou parecem mais animais acuados? Olhe nas salas de estar todos os apáticos grudados na TV, ouvindo zumbis falarem sobre a felicidade perdida. Olhe para a cidade e verá toda a imundície e a superpopulação. O povo nas lojas parecem robôs subindo e descendo as escadas rolantes. Todos são desconhecidos e todos acham que estão pertos da felicidade, mas ela é inalcançável, porque a roubaram deles. É assim que funciona, e você sabe disso. Mas eu tenho uma novidade, "sr. Executivo": a máquina esquentou demais. Somos os precursores, mas a sua era vai acabar logo. Se acomodaram com sua tecnologia, mas os outros estão com ódio. Ódio de crianças na favela que assistem a filmes americanos. E isso é só um lado, e o que acontece aqui? As doenças mentais estão aumentando, mais "serial killers", almas perturbadas, violência gratuita. Não vão conseguir sedá-los com TV e compras para sempre e os antidepressivos também vão parar de funcionar. As pessoas estão de saco cheio da droga do sistema.

- Eu admito que esteja certo sobre certas coisas, mas pegou o bode expiatório errado. Eu posso ter entrado no jogo, mas não o inventei.

- O inventor da arma não importa, importa quem puxa o gatilho.

--/--/--

Esse é um trecho do filme "Edukators - os educadores" (do original alemão "Die fetten Jahre sind vorbei" - Os dias de fartura estão contados), dirigido por Hans Weingartner, onde encenam Daniel Brühl, Julia Jentsch, Stiper Erceg e Burghart Klauβner.

Sobre o filme, não gostei da filmagem, da direção e dos atores, mas a temática e o roteiro são muito bons! Selecionei (e adaptei) essa parte, porque foi uma coisa que me marcou e fez refletir bastante. E ainda acho que resume o objetivo do filme como um todo.

"Não vão conseguir sedá-los com TV e compras para sempre e os antidepressivos também vão parar de funcionar."

Contudo e infelizmente, é um mal necessário... Pelo menos por enquanto!

Auf Wiederschreiben!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Férias! \o/

O título já diz tudo!

As minhas pelo menos não são propriamente ditas... Tenho muito o que fazer, mas poderei escrever!

Começo com um conto. Um conto bizarro, sem nada demais. Não gostei dele, mas precisava escrever e mostrar, pois há muito o tenho na cabeça. Acho que assisti a algum filme e essa cena ficou na memória. São coisas estúpidas, mas necessárias, como as besteiras em que pensamos na puberdade.

Enfim, é isso! Espero que gostem (ou não odeiem).

Auf Wiederschreiben! =D

(Até o próximo texto, ou algo assim.)

"Thriller"

O homem saiu pela porta traseira de um prédio decrépito. Apenas as janelas e portas, para ocultar o que havia dentro, eram preservadas com cuidado. Lá, ninguém sabia o que acontecia, mas se sabia nas ruas que lá fazia-se acontecer.

Enxugou a testa com um pequeno lenço, dos que se usa para exibir o luxo. Que luxo? Onde estava o seu luxo naquele momento? Afinal, ele estava num beco escuro em negra madrugada, acompanhado apenas de gatos, ratos e toda uma tímida fauna que se acumulava em torno das latas de lixo. Ela foi esquecida, ou deixada de lado por alguns instantes.

O pior é que estava quente, muito quente. Usava roupa, muita roupa, roupa demais. Queria arrancar cada peça e tomar um banho frio e demorado, mas estava naquele breu, horrível breu. Limpou a testa, o pescoço, a nuca... Não adiantava, pois seus poros não paravam de vazar de calor. E de medo. Medo de ser descoberto, de ser morto.

Um pingo de suor caiu na maleta escura e ele a enxugou na calça. Já havia descido os breves degraus da saída, mas era-lhe dfícil avançar com aquele peso que carregava não nos ombros, mas na mente, na alma.

Não precisava daquilo, bastava-lhe lutar. Mas era um covarde. Um asqueroso covarde ardendo em chamas negras que não feriam, mas traziam muito calor, vindas diretamente do inferno, com o Satanás lhe acenando.

"Venha."

Não. Não iria para o inferno. Nem acreditava que existia. Mas como podia, naqueles instante, achar tão óbvia sua existência? Tirou o chapéu e se abanou com ele.

O que era aquele vulto? Saiu rapidamente detrás do muro numa mitose negra, como se fossem uma única substância. Era o diabo. O diabo o levaria sorrindo. Sorriso negro, pois não se via, mas se sentia.

Correu para o lado oposto e a maleta foi ao chão. Que a pegassem, mas não o pegassem. O inútil esforço durou três largas passadas, quando ouviu um estouro e sentiu a dor no peito. O projétil em mira perfeita calou o compasso nervoso.

Foi quando sentiu tudo frio. Um frio confortável e adequado. Esperava por aquilo, fosse fruto de sua covardia ou de seu desejo por um banho gelado. Soprava a brisa fria. Não iria para o inferno, não era frio lá. Então veio-lhe um sussurro... Uma voz... Não, uma risada.

Risada macabra, distante e receptiva...

"Venha."