* Spoiler à vista!!!
- Quantas horas você trabalha por dia?
- Cerca de 13 ou 14 horas.
- E o que faz com tanto dinheiro? Você coleciona coisas. Coisas grandes e caras. Muitos carros, uma mansão, o seu iate... Coisas que mostram que é um macho alfa. Não vejo outro motivo. Nem tem tempo para usufruir do seu iate. A pergunta é: por que quer sempre mais?
- Vivemos numa democracia. Não preciso justificar coisas pelas quais eu paguei.
- Errado. Vivemos numa ditadura capitalista. Você roubou tudo o que possui.
- Posso me dar a certos luxos porque sempre trabalhei duro. Porque tive as idéias certas nas horas certas. E, além disso, eu não sou o único...
- Besteira!
- Muitos têm essas chances, só que não aproveitam.
- Então você é um batalhador. Na Ásia também há pessoas que trabalham 14 horas por dia, mas elas não têm mansões e só recebem 30 euros por mês. Acredito que elas também tenham idéias fantásticas, mas não têm dinheiro para ir até a cidade vizinha.
- Sinto muito por eu não ter nascido na Ásia.
- Pode ser, mas poderia ajudar a melhorar a vida por lá. Os países ricos poderiam perdoar as dívidas! São apenas 0,01% do PIB que poderiam sumir!
- Porque a economia mundial entraria em colapso.
- Porque querem que continuemos pobres. É o único motivo, assim podem controlá-los. Forçá-los a vender produtos por preços ínfimos.
- O que você entende disso? Isso é absurdo.
- Não. É a regra básica do sistema. Exaurir as forças das pessoas até o limite, para que elas não pensem em reagir.
- Isso não é verdade. É claro que muitas coisas podem ser melhoradas. Proteção ambiental, aumentar os preços dos produtores, mas o sistema nunca vai mudar.
- E por que não?
- Por quê?
- É. Por quê?
- Porque é da natureza humana querer superar o outro. Porque todo grupo elege um líder depois de um tempo. E a maioria só é feliz quando pode comprar algo novo.
- Feliz? Acha que as pessoas são felizes? Dê uma olhada! Saia do carro e olhe pelas ruas! Alguém parece feliz ou parecem mais animais acuados? Olhe nas salas de estar todos os apáticos grudados na TV, ouvindo zumbis falarem sobre a felicidade perdida. Olhe para a cidade e verá toda a imundície e a superpopulação. O povo nas lojas parecem robôs subindo e descendo as escadas rolantes. Todos são desconhecidos e todos acham que estão pertos da felicidade, mas ela é inalcançável, porque a roubaram deles. É assim que funciona, e você sabe disso. Mas eu tenho uma novidade, "sr. Executivo": a máquina esquentou demais. Somos os precursores, mas a sua era vai acabar logo. Se acomodaram com sua tecnologia, mas os outros estão com ódio. Ódio de crianças na favela que assistem a filmes americanos. E isso é só um lado, e o que acontece aqui? As doenças mentais estão aumentando, mais "serial killers", almas perturbadas, violência gratuita. Não vão conseguir sedá-los com TV e compras para sempre e os antidepressivos também vão parar de funcionar. As pessoas estão de saco cheio da droga do sistema.
- Eu admito que esteja certo sobre certas coisas, mas pegou o bode expiatório errado. Eu posso ter entrado no jogo, mas não o inventei.
- O inventor da arma não importa, importa quem puxa o gatilho.
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Esse é um trecho do filme "Edukators - os educadores" (do original alemão "Die fetten Jahre sind vorbei" - Os dias de fartura estão contados), dirigido por Hans Weingartner, onde encenam Daniel Brühl, Julia Jentsch, Stiper Erceg e Burghart Klauβner.
Sobre o filme, não gostei da filmagem, da direção e dos atores, mas a temática e o roteiro são muito bons! Selecionei (e adaptei) essa parte, porque foi uma coisa que me marcou e fez refletir bastante. E ainda acho que resume o objetivo do filme como um todo.
"Não vão conseguir sedá-los com TV e compras para sempre e os antidepressivos também vão parar de funcionar."
Contudo e infelizmente, é um mal necessário... Pelo menos por enquanto!
Auf Wiederschreiben!
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1 comentários:
Gostei das reflexões.
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