Ontem pensei no tempo. Penso agora no tempo em que pensei, quando ele já passou. Ele já foi, está aqui e virá. Penso sobre anos em minutos escassos.
O que é o tempo? O tempo é aquilo que o homem convencionou para prendê-lo a si mesmo, ordenando fatos um atrás do outro numa seqüência. Por que não deixá-lo passar? Por que correr atrás do tempo, se, por maior que seja o esforço, ele sempre está a frente? Ele não cansa, não pode cansar, mas seria tão bom: descansaríamos então, mesmo sem perceber. Mas então não seria descanso. Deixa pra lá.
O homem tenta conter o que fez: cria as gerações, as décadas, os anos, os meses, as semanas, os dias, as horas, os minutos, os segundos... Lispector acertou nos momentos mortos? Vazios ordenados que se tornam cheios. Assim, poderíamos vir do nada; do nada surge algo. Isso não é absurdo? O que seria o tempo, senão um amigo imaginário aceito por muitos? Provado: o Big Bang veio do nada!
Estou preso no tempo. Estamos. Criamo-lo e ele nos prendeu. Estamos numa redoma inquebrável. Se pelo menos houvesse a certeza de que daqui não sairíamos... O eterno retorno... A eterna descontrução e construção daquilo que já foi construído... Não perceberíamos, mesmo assim, então, que diferença faz? Voltei ao lugar de que queria sair.
"Não deixe nada pra semana que vem, porque semana que vem pode nem chegar." É pior do que isso. Não dá pra saber se viverei até daqui a pouco.
Até agora.
Até agora.
Ou agora.
Por isso, faço o que faço: vivo. Ou sobrevivo. Que seja. Hoje em dia, tanto faz, para aqueles que têm preguiça de pensar. Ou a situação os fazem ter preguiça. Ou não seja nem preguiça, mas desgosto. Que seja...
E nesses minutos escassos, mal aproveitados, de alguém sem ocupação (ou ignorando as ocupações), sinto-me perdendo uma parcela de minha vida. E tomara que seja ínfima.
E é só. Que corram os minutos, como se nada tivesse acontecido.
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