segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Caçando idéias

A noite está fria, embora meu quarto esteja um forno, e meus braços suam e deixam a escrivaninha umedecida. Odeio isso com todas as minhas forças. Não estou no computador, as idéias têm especial aversão a este prático engenho, teriam ciúmes se lessem o penúltimo adjetivo... Preciso me reconciliar com elas por uma briga da qual não lembro, mas em que tive participação, pois elas fugiram de novo.

Cansei disso: de agora em diante, armarei arapucas para as desertoras.

A janela parece uma boa isca, levanto e vou até lá. Um mosquito me perturba há dez minutos. Quero esmagá-lo prazerosamente e rir de seus restos torcidos numa pocinha de sangue próprio ou alheio, de quem ele pegou por último.

Depois das cortinas, do vidro, mas não das grades, o rosto sente a diferença climática do tropical equatorial "saunal" para o friozinho bom. É meu momento de fuxico. Não que eu goste disso, nem que seja o melhor atrativo a boas idéias, mas o meu ocasional ócio mental me induz a fazer coisas ilegais ao meu "eu", como essas. Alguém sai de carro e um som altíssimo informa que o automóvel não está longe. Mentira, ele está, acabei de ver. Mal-educado, infeliz, egoísta, peste. Que o pneu fure e a gasolina acabe. Isso poderia acabar com a noite de sono de alguém, uma pobre vítima da insônia. Meus pêsames, sono merecido.

Um homem saltita! Trinta anos, expressão séria, ombros encolhidos e passadas preguiçosas, mas ele saltitou! Tudo isso para pular um desnível da calçada. Liberou por um momento algo que escondia. O quê? Não sei, apenas vi, prefiro nem opinar. Ele devia achar que ninguém espiaria pela janela às onze horas da noite.

Coisa feia... Tento atrair as idéias fazendo fofocas? Não, não queria isso. Queria falar sobre o céu roxo e laranja. Sim, roxo e laranja. O homem consegue mudar até a cor do céu noturno, enfeita-o para o Halloween.

(Termo clichê esse "o homem". Usarei algo melhor nos próximos escritos...)

Mas não tenho inspiração pra falar do céu e de suas nuvens.

Acaba de chegar um outro carro, sai uma família tradicional dele: pai, mãe, filho, filha e cachorro. Sim, tem até o cachorro. O menino corre contente com o animal para casa, mas a menina queria voltar ao passeio e chora alto, altíssimo. Passados três minutos de lágrimas e berros, três cabeças procuram o foco do barulho infernal da janela de suas casas. A menina continua chorando. Um certo amigo diria que ela tem futuro como estrela do rock, mas os vizinhos suplicam por um tampão. A mãe usa uma boneca de sorriso duro para anestesiá-la, e funciona. O volume diminui e eles entram em casa.

Ops. Uma mulher me vê escrevendo na janela e fecha as cortinas. Nem olhei para ela! Para evitar ser flagrado novamente, guardo a arapuca quase vazia. Peguei apenas pardais...

Deito satisfeito: capturei algumas idéias e adivinhem quem está grudado na minha mão... Estraçalhei o mosquito!!!

1 comentários:

Amanda F. disse...

Isso!Pega essas idéias,joga elas na parde e chame-as de lagartixa,XDD!

Mentira que vc matou um mosquito!!Vc tem medo deles:ainda lembro de vc correndo de um suposto mosquito da dengue,ahuahauahu.

Adorei o jeito como vc começou e terminou com idéias semelhantes,sem ter se limitado a elas.Ficou brilhante!Divagou,mas resgatou o fio da meada. ^^