Cada um com o seu açúcar.
É uma coisa bem pessoal, personalíssima. Uns gostam de quantias módicas, outros de abundâncias assustadoras. Os que preferem o refinado, tradicional e suficiente, estranham quem ama o mascavo, casto e nutritivo.
O que seria do suco amargo de se estalar a língua? Sua melancólica solidão. Seria derramado instintivamente, recusado com polidez ou pingado furtivamente no jarro da planta ornamental? É o lápis sem a borracha, a fome sem a boca, a comédia sem a risada, o tormento sem o pranto! O acre é cabeça-dura sem perceber e o bom açúcar é o eloqüente de fala simples, leve, mas requintada, humildemente requintada.
Para cada gota amarga, traga-me um torrão. Não, exagero. Basta um pouquinho, aquele restinho que se equilibra na colher, mergulha no copo, some e faz valer o gole. A sede sempre morre, mas do que se lembra? A lembrança pode ser doce, tem que ser doce. Quem assim não o quer?
Entretanto, atenção: açúcar engorda.
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